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«Dog Tag» de um soldado do exército dos Estados Unidos
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Bernard Law Montgomery

1887-1976

// Biografia completa do General Bernard Law Montgomery.

Recebeu uma educação espartana

Educado por um pai bispo anglicano e uma mãe de ferro, Monty, como era conhecido desde Alamein, era um homem de hábitos espartanos, que nunca abandonou. A primeira vez que jantou com Churchill, este ofereceu-lhe vinho e um charuto. Nunca bebo ou fumo, respondeu ao atónito premier, que fumava puros e era um grande bebedor. É famoso o facto de Monty só comer alimentos fervidos e tarte.

Bernard Law Montgomery nasceu a 17 de Novembro de 1887 em Kennington, um subúrbio de Londres. Ainda muito criança, acompanhou os pais até à Tasmânia, uma ilha a sul da Austrália, frente a Melbourne. Os seus irmãos consideravam-no uma peste, e a sua mãe dava-lhe um tabefe cada vez que dizia uma palavra com pronúncia australiana.

Em 1901, a família regressou ao Reino Unido. Montgomery foi enviado primeiro para o colégio São Paulo, por pouco tempo, e quando descobriu a sua vocação militar, aos 19 anos (1906), pôde ingressar na Real Academia de Santhrust. De um total de 177 candidatos a ingressar nela, conseguiu o número 72, não muito brilhante. Sempre careceu de habilidade oratória, para além da sua voz estridente não ajudar. Mas, em troca, tornou-se rapidamente num perito em comunicações electromagnéticas, sobre as que escreveu o seu primeiro livro, e quando saiu da Academia já tinha ganho certo prestígio profissional.



Ferido na Primeira Grande Guerra

A 12 de Dezembro de 1908, Montgomery, como oficial do Regimento Royal Warwickshire, é enviado para a Índia, a Peshawar, onde esteve até 1911. Ao estalar a Primeira Grande Guerra tinha vinte e seis anos e foi enviado para França. Participa brilhantemente na batalha de Ypres, onde é ferido gravemente no peito e numa perna, mas recupera bem e regressa voluntariamente à frente, encurtando o período de licença que lhe tinham concedido para convalescer. Não queria perder nada da guerra, acabando coberto de condecorações e com a patente de capitão.

Até 1927, quando era já quarentão, não pensou em contrair matrimónio, mas nesse ano enamorou-se de uma viúva de guerra chamada Betty Hobart, com dois filhos, e casaram em Londres a 29 de Julho de 1927. Anos depois da boda, Monty foi colocado de novo na Índia, desta vez em Quetta, onde Betty morreu devido a uma picada venenosa de um mosquito, a 19 de Outubro de 1937. Monty não voltou a casar-se. Com ela tinha tido um filho, David, que não quis ouvir falar da carreira militar de seu pai, como Monty tão pouco tinha querido falar da carreira eclesiástica do seu.

Ao estalar a Segunda Grande Guerra, Montgomery recebe comando de uma famosa 8ª Divisão, à que chamavam Divisão de Ferro, que entrou a formar parte do Corpo Expedicionário britânico enviado para França e que teve de ser reembarcado em Dunquerque, salvando-se mais de 300 mil homens, mas com uma enorme perda de material. Churchill diria que essa foi a pior hora para a Inglaterra.


 

Importante missão no deserto


 

A grande oportunidade na vida militar de Montgomery foi o comando do VIII Exército, a mais célebre unidade de combate do Exército britânico. Tinham havido sérios problemas com ela: tinham sucedido no seu comando homens como Wawll, Ritchie e Auchinlek, três generais a quem Monty criticaria severamente nas suas Memórias. Este VIII Exército era o único que se interpunha entre o Afrika Korps do marechal Rommel, e Alexandria e Cairo, que caídas no poder do Eixo abririam as portas do Médio Oriente e quiçá da Ásia.

Rommel tinha atingido com certa contundência o VIII Exército, e esperava assentar-lhe um golpe definitivo a 30 de Agosto de 1942, dia em que Montgomery foi nomeado seu comandante. Foi uma duríssima batalha, um gigantesco duelo entre marechais, alemão e britânico, em que participaram mil tanques, trezentos e trinta mil homens, que compreendiam várias divisões italianas, dois mil aviões e centenas de peças de artilharia.

A batalha de Alamein terminou a 4 de Novembro, durou doze dias e o Afrika Korps ficou virtualmente fora de combate, fazendo-lhe 30 mil prisioneiros. A partir desse momento não fez mais que bater em retirada - contra as ordens de Hitler - até Tunes, onde rendeu as armas ao inimigo em Maio de 1943. Quando terminou a batalha, Monty era uma pessoa quase lendária, um herói nacional sobre o qual o Reino Unido despejou a sua gratidão e honras.



A derrota de Rommel

O certo é que o VIII Exército contou com mais meios que o Afrika Korps, pois enquanto aquele recebeu toda a espécie de reforços humanos e materiais, este teve de contentar-se com o que tinha no terreno; quando se aproximou o final, Rommel tinha muito poucos tanques operacionais. Claro, nada disto tira méritos a Monty. Movimentar habilmente massas de homens e material contra um inimigo formidável com Romell à frente, e iludir todas as suas armadilhas, fintas e emboscadas, foi uma grande façanha, Monty ficou consagrado, naquela batalha no deserto como um dos grandes estrategas da Segunda Grande Guerra, e quando chegou a hora de conceder-lhe honras máximas, o Rei fê-lo Par, como visconde de Alamein. Porquê só visconde, quando o próprio general Alexander, depois de nomeado visconde, em 1946, foi feito conde em 1952? Monty não deve ter gostado, porque era muito ciumento dos seus méritos e quase nunca tinha boa opinião dos outros.

Às grande vitórias norte-africanas do VIII Exército seguiram-se as da Sicília e Itália continental, até Monte Cassino. Os Aliados tinham concordado na abertura de uma segunda frente na Europa, e Monty foi chamado a Londres, por Churchill, para que se encarregasse das tropas aliadas que iam participar na operação Overlord, de desembarque na Normandia.


 

Temperamento impossível

Quase desde o primeiro momento que Monty teve problemas com os generais norte-americanos, que sem dúvida subestimava. Sendo Eisenhower comandante supremo, teve que colocar-se às suas ordens. As suas relações foram tensas e azedas nalgumas ocasiões. O êxito e a fama não tinham adocicado o carácter de Monty, e quando este escreveu as suas Memórias criticou muitas decisões de Eisenhower, que deixou de escrever-lhe, como era costume, a felicitá-lo. Isto surpreendeu Monty, que lamentava tão sério os juízos contrários.

O choque entre dois generais era inevitável porque ambos tinham um conceito completamente diferente sobre como se devia conduzir a guerra, já em solo europeu. Monty, na campanha que terminou com a rendição do III Reich, já não esteve tão brilhante como no Norte de África. Cometeu erros, como o da batalha de Arnhem, que deteve a progressão aliada e que dizimou a I Divisão Aerotransportada britânica. Monty nunca reconheceu esta derrota; disse que tinha sido um êxito em 90 por cento.

Em Maio de 1945, depois de avançar sobre a Alemanha a ferro e fogo, Monty recebeu em Luneburgo o general alemão Friedenburg para discutir os termos da rendição da Alemanha.

Ao terminar o conflito e virtualmente até ao final da sua vida, o visconde de Alamein recebeu todos os altos cargos e honras, desde chefe de Estado-Maior Imperial do Exército britânico, até ao de vice-almirante supremo da NATO, passando pelo Comité de Comandantes da Organização de Defesa da Europa Ocidental. Sentenciou a NATO com uma frase: É uma estupidez.

Em 1958 passou à reserva e retirou-se para a sua casa de Islington Mill, perto de Londres. Ali viveu rodeado das suas lembranças até que faleceu em 23 de Março de 1976. Tinha oitenta e oito anos.




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