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Douglas MacArthur

1880-1964

// Biografia completa do General Douglas MacArthur.

O general MacArthur parece ter nascido fadado para a guerra. A sua vida foi uma sucessão de batalhas nos mais variados teatros de guerra; na Primeira Grande Guerra, integrado na Divisão Arco Íris, combateu na Europa; na Segunda Grande Guerra lutou no Extremo Oriente e, anos depois, voltou ao Pacífico para combater na Coreia.

MacArthur não terá esquecido as palavras proferidas pelo então Secretário de Estado da Defesa norte-americano, Elihu Root, no dia 11 de Junho de 1903, data em que terminou o curso na Academia Militar de West Point: Antes que abandonem o Exército, a fazer fé na História, sereis obrigados a combater numa nova guerra.

Nascido a 26 de Janeiro de 1880 em Little Rock, no Arkansas, MacArthur fazia remontar a ascendência dos escoceses MacArthur ao Rei Artur e aos cavaleiros da Távola Redonda. Com a fantasia que lhe era própria, MacArthur justificava os pergaminhos familiares com uma velha máxima escocesa: Nada há de mais antigo, exceptuando as colinas, do que os Mac Artair e o diabo.
 

Uma família de militares

Tal como sucede em relação ao general De Gaule, torna-se difícil imaginar outra carreira para MacArthur que não a das armas. O seu pai, um antigo general, matriculou Douglas na Academia Militar de West Point no dia 13 de Junho de 1889, estabelecimento a que regressaria anos mais tarde como director.

Terminado o curso, em Junho de 1903, foi colocado nas Filipinas, arquipélago a que voltaria por diversas vezes ao longo da sua carreira e que a marcaria em definitivo, já que aí MacArthur viveu os grandes momentos de glória e os dias mais trágicos.

Promovido a tenente, MacArthur foi transferido para Washington, sendo então nomeado ajudante de campo do presidente Teodore Roosevelt, regressando às Filipinas em 1935 tendo a seu cargo a chefia da missão militar norte-americana. Dois anos mais tarde, em 1937, abandona o activo e, não fora o facto de os japoneses atacarem Pearl Harbor, a sua carreira terminaria sem brilho nem glória.

Em Junho de 1941 regressa ao activo para, no momento em que deflagra o conflito nipo-americano, assumir o comando das Forças Armadas dos Estados Unidos no Extremo Oriente.


Carreira heróica e gloriosa

Pearl Harbor e a ocupação japonesa das Filipinas marcam uma viragem na vida de MacArthur, lançando-o numa carreira heróica e gloriosa em doses quase suficientes para satisfazer a sua imensa vaidade.

Tentou, usando as defesas que ele próprio criara, impedir o desembarque nipónico nas Filipinas. Só que a força japonesa (comandada por um homem que ele próprio acabaria por condenar à morte) era constituida por 80 mil homens, o dobro dos defensores de Luzón. Mesmo em desvantagem, e sabendo que o seu esforço seria inglório, MacArthur defendeu Bataan e Corregidor até ao fim.

Uma das suas expressões mais célebres espelha bem a tenacidade do general norte-americano: Eles podem ter a garrafa, mas a rolha sou eu quem a tem.

Quando a situação se revelou insustentável recebeu ordens para retirar do terreno, partindo com os seus homens para a Austrália.

Doía-me o coração ao ver os homens, desmoralizados, cobertos de farrapos... Estavam sujos, cheios de piolhos, cheiravam mal, mas eu admirava-os.

Quando Marshall o aconselhou a retirar a mulher e o filho num dos submarinos norte-americanos não hesitou na resposta: Ela ficará comigo até ao fim. Nós bebemos os dois da mesma taça.

Às sete e meia da manhã de 11 de Março um contratorpedeiro esperava-o para o levar até à Austrália. MacArthur, sujo e esgotado tinha perdido doze quilos, dirigiu-se à casa em que habitava a sua mulher e, em voz baixa, limitou-se a dizer: Jane, chegou o momento de partir.

As probabilidades de chegar são e salvo à Austrália eram de sete para uma. Nessa mesma manhã, na rádio japonesa, Rosa de Tóquio afirmava que se MacArthur fosse capturado vivo seria enforcado na Praça Imperial de Tóquio.

 

Uma frase histórica: Voltarei!

Mal desembarcou em território australiano proferiu a mais conhecida das suas frases. Da frase completa, para a História, passaria apenas a parte final: Voltarei! (I shall return!). E voltou.

A 6 de Agosto de 1945 uma superfortaleza voadora B-29 lançou sobre Hiroshima a primeira bomba atómica da História, obrigando o Japão a render-se. No dia seguinte, não querendo ficar à margem da vitória e da ocupação do território dos vencidos, a União Soviética declarava guerra ao Japão.

MacArthur desejava que a viagem até ao Japão, para a assinatura formal da rendição nipónica, terminasse no aeroporto de Yokohama. Os japoneses manifestaram o seu desagrado por esta ideia, argumentando que o referido aeroporto fora uma das bases dos kamikaze, muitos dos quais continuavam a residir aí. Mais: muitos desses pilotos-suicida haviam manifestado o seu descontentamento, numa manifestação que se desenrolara no Palácio Imperial de Tóquio, pela rendição japonesa.

A 30 de Agosto, o avião de MacArthur (baptizado com o nome de Bataan) aterrava no aeroporto de Atsugi. Mal pôs um pé em terra, MacArthur não esperou muito para proferir outra das suas palavras, desta vez dirigida ao general Eichelberger: Bob, há uma grande distância entre Melbourne e Tóquio, mas o caminho parece ter chegado ao fim.


 

 

Rendição a bordo do Missouri

O caminho, longo de 15 milhas, que separava Atsugi de Yokohama foi percorrido a pé, ladeado por soldados norte-americanos. A cerimónia oficial da rendição do Japão realizou-se a 2 de Setembro de 1945, tendo por palco a coberta do couraçado Missouri. Sem indicações oficiais sobre o que fazer ou dizer, MacArthur agiu - ele prórpio o afirmou - como procônsul dos Estados Unidos. Terá sido, sem dúvida, o que de melhor poderia ter acontecido. Para si, para o Japão e para os Estados Unidos. A obra feita não deixaria dúvidas quanto ao desempenho do general.

Aos japoneses poupou, na medida do possível, a humilhação que normalmente espera os vencidos. Os vastos conhecimentos de que dispunha sobre a mentalidade oriental, e a paixão que tinha pelo Oriente, foram vitais para o equilíbrio da sua actuação. O próprio imperador japonês, Hirohito, não deixou de avisar os seus concidadãos: Vejam como tratam o general. Não é um inimigo. É um amigo.

A MacArthur, e à política de ocupação que desenvolveu, deve o Japão o regime democrático e a prosperidade actuais. Uma política pautada pela equidade e pela moderação que muitos consideraram falta de firmeza para com os vencidos.

Em Washington, e em Moscovo, exigia-se pulso forte no trato com os vencidos como, lembravam, fora acordado em Potsdam. Mais do que dar ouvidos a americanos e russos, MacArthur preferiu fazer justiça, condenando à morte os oficiais japoneses acusados de crimes de guerra. Entre esses oficiais contavam-se os generais Yamashita e Homma, este último responsável pela sangrenta Marcha da Morte de Bataan.

 

Apanhado de surpresa pela guerra da Coreia

Ainda em Tóquio foi informado de que começara uma nova guerra, desta vez na Coreia. Ele mesmo conta como soube deste novo conflito: Era bem cedo quando, naquela manhã de 25 de Junho de 1950, o telefone tocou na Embaixada. Reconheci a voz de um ajudante que me disse: «General, um número considerável de norte-coreanos atravessou o paralelo 38.».

O Conselho de Segurança da ONU nomeia MacArthur comandante-chefe das forças das Nações Unidas na Coreia. Esta guerra, a última em que participou, seria aquela que deixaria as recordações mais amargas.

Nem a América de 1950 era a mesma América de outrora nem, tão pouco, a Casa Branca tinha por hóspede Franklin Delano Roosevelt. A Guerra Fria, com todo o seu cortejo de medos, reservas e cumplicidades, condicionava todos os actos políticos e militares, ninguém querendo chamar a si ónus de uma decisão comprometedora. MacArthur recordou, então, numa frase que ouvira a seu pai: Meu filho, as decisões bélicas geram temor e derrotismo.

O general não entendia a estratégia traçada por Washington que não queria vitórias mas, isso sim, que um herói da Segunda Grande Guerra não criasse situações embaraçosas, sobretudo com chineses e russos do outro lado da barricada.

As guerras, como descobriu MacArthur, já não eram feitas para serem ganhas mas para não serem perdidas. Uma lógica que ia contra tudo aquilo que aprendera e executara antes. Não compreendia, igualmente, as evasivas de Washington aos seus pedidos nem, em casos extremos, algumas recusas formais como, por exemplo, o de forçar a Formosa a participar no conflito.


Amargura e destituição

Quando anunciou a intenção de bombardear as tropas chinesas em Yalu, Washington começou a encará-lo como uma ameaça. Quis, então, pedir demissão, sendo impedido de o fazer por alguns dos seus amigos. Um dia, um dos seus pilotos perguntou-lhe: Meu general, afinal de que lado estão os Estados Unidos e as Nações Unidas.

A 11 de Abril de 1951, o presidente Truman, que não nutria uma grande simpatia pelo general, anuncia a destituição de MacArthur. Acaso de demitir Deus, disse nesse dia Truman à sua filha Margaret.

Em 1952, alguns dos seus amigos do Partido Republicano propuseram - como havia feito em 1948 - a MacArthur que se candidatasse à presidência. Uma vez mais deixou bem claro que não tinha ambições políticas. Truman, que o questionara sobre uma eventual candidatura à Casa Branca, ouviu de MacArthur a seguinte resposta: Se, no seu caminho, tropeçar num general não será certamente em mim mas em Eisenhower.

MacArthur, que regressou à sua casa de Nova Iorque, faleceu a 5 de Abril de 1964. Tinha 84 anos e combatera em três guerras que marcaram o século XX.




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Comentários
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antonio
01 de July 2013 às 09:44:07
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Atravéz de meu pai que foi grande admirador de Mac Arthur tornei-me também admirador o General foi um dos ultímos grandes estadista e pensadores militar
Fernando Silveira
06 de August 2016 às 17:47:04
» Responder
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Parabéns pela iniciativa, Douglas MacArthur é um nome que não deve ser esquecido, e sim lembrado como o Grande Bastião da luta contra o Imperialismo japonês, que tanto mal fez a Humanidade. Exemplo de Militar!
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