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7 de Dezembro de 1941 - Japão declara guerra aos Estados Unidos
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Batalha de Inglaterra

// Informações sobre a Batalha de Inglaterra.

«Hitler sabe que terá de nos vencer nesta ilha ou perderá a guerra. Se nós lhe conseguirmos resistir, toda a Europa poderá se libertar e a vida no mundo inteiro poderá progredir para situações mais amplas e ensolaradas. Mas, se fracassarmos, o mundo inteiro, incluindo os Estados Unidos, incluindo tudo o que conhecemos e que nos é importante, afundará no abismo de uma nova era de trevas, transformada em algo mais sinistro e talvez até mais desesperado, pelas luzes de uma ciência pervertida. Por esse motivo, vamos aceitar os nossos deveres e preparar-mo-nos para que, se o Império Britânico e a sua Commonwealth conseguirem existir por mais mil anos, os homens continuem afirmando: 'Este foi o seu momento de glória'.» - Winston Churchill (18/06/1940)

Foi com estas palavras, proferidas na Câmara dos Comuns no dia 18 de Junho de 1940, que Winston Churchill fortaleceu os cidadãos ingleses para a grande provação: a Batalha da Inglaterra. Quais foram os planos de Adolf Hitler para invadir a Inglaterra? A base do plano foi a Operação Leão-Marinho. Ele pretendia abrir o caminho para uma invasão marítima através da destruição do Comando de Caças. Quando o número de baixas aumentou consideravelmente, os alemães esqueceram o seu objectivo e passaram a desferir ataques contra Londres e outras cidades do Reino Unido, numa operação conhecida usualmente como Blitz.

Os alemães reservaram um exército formado por cerca de vinte divisões para essa operação. Pode-se questionar se a frota por eles organizada era adequada para transportar esse exército, na medida em que a marinha alemã tinha sofrido sérias baixas durante a campanha da Noruega e não se encontrava em condições de escoltar as tropas nem mesmo ao longo do caminho marítimo mais curto que agora se sabe ter sido o escolhido. Obviamente, o desembarque seguro desses soldados dependeria mais da Luftwaffe do que da pequena marinha alemã. Uma vez em terra firme, teriam de enfrentar cerca de 25 divisões, todas em boas condições, mas com uma séria falta de armas modernas, meios de transporte e tanques. Apesar do seu moral ser bastante elevado, esse exército não era tão experiente e tão bem treinado quanto o alemão. Além disso, o exército estava espalhado de Kent até Cromarty, sem condições de saber o local de desembarque do inimigo. Durante muito tempo, o litoral leste parecia ser o local mais provável. No entanto, era possível que houvessem diversos desembarques em simultâneo. A possibilidade de desembarques por via aérea devia ser levada em consideração, apesar de não existirem condições para que os pára-quedistas conseguissem causar o impacto e a confusão que haviam espalhado pelos Países Baixos.

O Corpo de Voluntários da Defesa Local (que pouco tempo depois passou a ser chamado de Guarda Doméstica) foi criado numa noite do mês de Maio e, apesar de armado a princípio com espingardas e até mesmo com lanças antigas, não era de grande valor para a defesa de pontos vulneráveis. As suas fileiras estavam repletas de resolutos veteranos da guerra de 1914-18, que, sem dúvida alguma, tinham apresentado um comportamento valente e corajoso. O Reino Unido e o seu império estavam agora praticamente sozinhos. Além disso, o país não podia empregar todos os seus escassos recursos na defesa das ilhas britânicas, pois existia a necessidade de manter sua posição no exterior, principalmente no Mediterrâneo.

Mas, se faltavam aliados ao Reino Unido, este continuava a ter como amigo o presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt. Não existia, nessa época, nenhum desejo por parte dos americanos de proclamar: A Inglaterra está derrotada. No entanto, o presidente Roosevelt teve um importante papel no fornecimento do seguinte armamento:

  • 500.000 rifles;
  • 80.000 metralhadoras;
  • 130.000.000 de conjuntos de munição;
  • 900 canhões de 75 mm e
  • 100.000.000 de granadas;

Além de tudo isto, o Reino Unido ainda possuía cerca de duzentos tanques operacionais.

O exército britânico esforçou-se ao máximo nos respectivos preparativos contra uma possível invasão por parte dos alemães. Muitos oficiais de habilidade comprovada, os generais Sir John Dill e Sir Alan Brooke, mantiveram as posições-chave de chefe do estado-maior imperial e de comandante-chefe das forças metropolitanas. Ainda passou um longo período antes que o exército pudesse passar para a ofensiva, mas, como uma garantia de que tempos melhores viriam, os comandos foram formados com a finalidade de desferir ataques contra qualquer lugar entre Narvik e Bayonne. Ninguém precisa duvidar de que, com o estado de espírito reinante em 1940, os ingleses teriam enfrentado uma invasão alemã com uma fúria obstinada. Mesmo assim, foi muito bom que o exército inglês não tivesse de enfrentar a Wehrmacht nos campos de Kent. Keitel e outros elevados oficiais das forças armadas do comando supremo alemão estavam convencidos, após o armistício francês, de que o Reino Unido estava disposto a negociar os termos de paz. Era um indício de quão mal eles conheciam o temperamento do povo britânico.
 

Apesar de tudo isto, o poder aéreo alemão encontrava-se agora no seu ponto culminante:


 
  • 11 grupos de caças de combate (1.300 Messerschmitt109);
  • 2 grupos de caças-bombardeiros de combate e bombardeio (180 Messerschmitt 110);
  • 10 grupos de bombardeiros (1.350 - Heinkel 111, Junker 88, Dornier 17).

Perfazendo um total de 2.830 aviões.

Com equipas treinadas e experientes, que já conheciam o sabor da vitória, a Luftwaffe entrou na Batalha da Inglaterra confiante no seu sucesso. Duas frotas aéreas participaram: a primeira, comandada pelo Marechal-de-Campo Kesselring (com quartel-general em Bruxelas), e a segunda, comandada pelo Marechal-de-Campo Sperrle (com quartel-general em Paris). No dia 2 de Julho, o alto comando alemão deu ordens destinadas a abrir o caminho para a invasão do Reino Unido. Duas metas foram definidas:

  • A interdição do canal da Mancha para a marinha mercante, a ser obtida em conjunção com as forças navais alemãs, através do ataque contra os comboios, a destruição das instalações portuárias e a colocação de minas nas áreas dos portos e nos seus caminhos de acesso.
  • A destruição da RAF (Royal Air Force).

Para frustrar esse plano, o Comando de Caças possuía (no dia 8 de Agosto) cerca de seiscentos ou setecentos caças, organizados em 55 esquadrões operacionais, incluindo seis com aviões de combate nocturno (Blenheims), que não participavam das operações diurnas. A grande maioria dos aviões eram Hurricanes, cerca de um quinto eram Spitfires e havia ainda dois esquadrões de Defiants. Foi graças aos esforços de Lorde Beaverbrook, ministro da Produção Aérea, que a força aérea britânica cresceu bastante, de maneira que em 30 de Setembro dispunham de 59 esquadrões (sendo oito de aviões de combate nocturno). A Batalha da Inglaterra teve início no dia 10 de Julho, quando bombardeiros alemães atacaram comboios mercantes no canal da Mancha. Uma semana mais tarde (16 de Julho), Hitler deu as suas instruções para a Operação Leão-Marinho. Os preparativos deveriam estar terminados até meados de Agosto. Entre eles, estava a nomeação, por parte de Heydrich, do coronel das SS, Professor Six, para o cargo de representante da policia de segurança (Gestapo) na Grã-Bretanha.

No canal da Mancha ocorreram intensos ataques alemães contra comboios mercantes entre os dias 8 e 12 de Agosto. Em seguida, os alemães desviaram a sua atenção para os campos onde os caças estacionavam (no Sul e no Sudeste do território britânico). No entanto, apesar de terem causado muitos danos, não estavam a obter os resultados previamente delineados. No decorrer dos dez primeiros dias da campanha de Agosto, a Luftwaffe teve perdas muito superiores às da RAF, que perdeu apenas 153 aviões. As perdas inglesas consistiam em caças monopostos. O inimigo perdeu muitos bombardeiros, que levavam uma tripulação de cinco pessoas, e também muitos caças bipostos. Nas intensas batalhas do dia 15 de Agosto, os alemães perderam um total de 76 . O Spitfire apresentava um desempenho consideravelmente superior ao do Messerschimitt 109, ao passo que o Messershimitt 110 era mais rápido do que o Spitfire, mas apresentava dificuldades quanto à manobrabilidade. O Hurricane, um aparelho mais lento, estava mostrando o seu valor contra os bombardeiros alemães.

Seria absurdo subestimar o valor e a habilidade dos pilotos da Luftwaffe, entre os quais se encontravam ases como Galland e Moelders. A verdade é que os pilotos dos caças ingleses conscientes de que a vitória dependia da sua coragem e tenacidade, demonstraram ainda mais iniciativa e arrojo do que os seus adversários. Ocorreram muitos casos em que um avião foi atingido e o piloto se salvou saltando de pára-quedas, voltando a lutar com outro avião ainda no mesmo dia. Havia a vantagem do desempenho em áreas domésticas, pois muitos pilotos da RAF obrigados a abandonar seus aparelhos - mesmo os que caíam no mar -, podiam ser resgatados. O controlo organizacional do Comando de Caças, sob as ordens do Vice-Marechal-do-Ar Sir Hugh Dowding, e do 11º Grupo de Caças, sob o comando do Vice-Marechal-do-Ar Park, pouco deixou a desejar.

O desenvolvimento do radar deu ao Reino Unido uma grande vantagem, no sentido de poder distinguir entre as falsas e verdadeiras ofensivas alemãs, de modo que pudessem empregar seus recursos da melhor maneira possível. Os alemães aumentaram então a proporção de caças em relação aos bombardeiros e, após uma breve pausa, desferiram onze grandes ataques no decorrer dos cinco primeiros dias de Setembro. Dessa vez, os alvos foram as bases aéreas de caças situadas no interior do país e fábricas de aviões. As baixas estavam começando a fazer com que os alemães perdessem de vista seu verdadeiro objetivo, ou seja, a destruição da RAF. Na momento em que começaram a modificar os seus alvos, foram derrotados, se bem que não se tivesse essa impressão na ocasião.
 

No dia 7 de Setembro, ocorreu o primeiro ataque em massa contra Londres. Esta, disse Goering, é a hora histórica em que a nossa força aérea desferiu pela primeira vez seus golpes bem no coração do inimigo. Esse ataque foi realizado entre as 5 e 6 horas da tarde. Cerca de 320 bombardeiros, escoltados por mais de seiscentos caças, vieram acompanhando o rio Tamisa e bombardearam o arsenal de Woolwich, a refinaria de Beckton, Dockland, a fábrica de energia eléctrica de West Ham, o centro da cidade, Westminster e Kensington. Incêndios de grandes proporções foram causados pelo ataque, e a população de Silvertown teve de ser evacuada pelo rio. Às 20h10, mais 250 bombardeiros aproximaram-se; o ataque continuou até as 4h30 da madrugada. Entre a população civil houve 430 mortes e cerca de 1.600 pessoas seriamente feridas. A Brigada dos Bombeiros de Londres lutou durante o dia todo para dominar os incêndios. Às 19h30 do dia 8, apareceram duzentos outros bombardeiros, que, guiados pelas chamas, realizaram a Blitz.

Durante 23 dias seguidos, a Luftwaffe manteve essa pressão. Observadores americanos ficaram impressionados com a maneira de os londrinos aceitaram a situação. É quase inacreditável, relatou Helen Kirkpatrick, do Daily News de Chicago (9 de Setembro), ver como as pessoas estão relativamente calmas após essa terrível experiência. Existe uma certa dose de terror, mas não na escala esperada pelos alemães e certamente não numa escala que faça os ingleses pensarem em qualquer outra coisa a não ser prosseguir com a luta. O medo mistura-se a tal ponto com uma raiva profunda e quase incontrolável, que é difícil saber onde termina um sentimento e começa o outro. O número de baixas, apesar de elevado, não chegou a ser tão intenso quanto os discípulos de Douhet esperavam.

O maior dos ataques diurnos ocorreu no dia 15 de Setembro e as intensas lutas travadas entre Londres e o estreito de Dover custaram 56 aparelhos aos alemães. Esse foi o ponto culminante da batalha. O número crescente de baixas estava começando a diminuir a potência da Luftwaffe. Os bombardeiros deixaram de actuar durante o dia por volta de 5 de Outubro. Os ataques, executados por caças-bombardeiros (Messerschmitts 110), com grande escolta, voando a cerca de 914 metros de altura e cada um transportando apenas duas bombas, não chegaram a ser muito impressionantes. No final do mês, a Batalha da Inglaterra terminou.

No dia 12 de Outubro, Hitler cancelou a Operação Leão-Marinho porque a Luftwaffe não tinha conseguido estabelecer condições para que os alemães conseguissem cruzar o canal da Mancha. Essa tentativa custou 1.733 aparelhos à Luftwaffe. Foi uma grande vitória britânica; uma das batalhas decisivas da Segunda Grande Guerra. E não foi facilmente vencida. Apesar de a batalha propriamente dita ter terminado, os bombardeamentos nocturnos continuaram. Londres, Southampton, Plymouth, Bristol, Liverpool, Coventry, Birmingham e Exeter foram algumas das cidades que sofreram ataques. Muitos civis morreram, mas os ataques contra as cidades serviram apenas para enfatizar que os alemães não tinham conseguido atingir sua verdadeira meta - a destruição da RAF.

A RAF contra-atacou a região do Ruhr, as refinarias na Alemanha Ocidental e Berlim. A afirmação de Goering segundo a qual jamais um avião inglês apareceria sobre o território do Reich mostrou ser falsa. Os italianos também não escaparam ilesos. No Outono, a RAF sobrevoou os Alpes para bombardear Milão e Turim. Não se pode afirmar que os bombardeamentos executados nessa fase da guerra diminuíram de alguma maneira a sua duração. Os danos relativamente pequenos causados à indústria bélica foram rapidamente reparados de ambos os lados. O moral da população civil não chegou a ser suficientemente afectado, a ponto de causar preocupações ao governo. O governo de Winston Churchill, através do Emergency Powers Act, tinha assumido o controlo sobre as vidas e posses da população britânica, uma atitude que, por ser mais subtil, não foi menos séria do que o controlo férreo exercido por um ditador nazi ou fascista. O ano de 1940, que presenciara o maior triunfo de Hitler, chegara ao fim. Já não era mais uma heresia questionar a invencibilidade germânica. É bem verdade que o Senador Burton K. Wheeler declarou no Natal desse ano que os Estados Unidos estavam prejudicando muito a Grã-Bretanha, incentivando o país a continuar e a lutar até a exaustão... Não existia um único oficial mentalmente sadio, disse ele, que acreditasse que o Reino Unido seria capaz de desembarcar tropas em território alemão. E mesmo que os nossos propagandistas consigam-nos envolver na guerra... eu duvido que os esforços conjuntos da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos possam ser bem sucedidos nesse projecto.
 




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