Alemanha

// Informações sobre a Alemanha antes, durante e depois da guerra.



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Depois da derrota alemã em 1918, constituiu-se neste país a República Democrática. Este governo tropeçou com graves dificuldades, devido aos movimentos subversivos e à difícil situação económica (o marco, moeda alemã, perdeu todo o seu valor). A miséria e a fome ocasionaram situações desesperantes entre a classe operária, e nestas circunstâncias, muitos alemães sentiram-se atraídos pelas ideias radicais dos partidos antidemocráticos. Tanto os comunistas como os nacional-socialistas prometem a solução para todos os problemas. É na rua que, cada vez mais, a luta pelas opiniões políticas se efectua. O NSDAP (Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães) de Adolf Hitler, que prometia às massas a ruptura com o Tratado de Versalhes, uma nação sem desemprego e uma Alemanha engrandecida, ganha esta luta e torna-se o maior partido político representado no parlamento, ao atingir 37% dos votos nas eleições de 1932 (com o apoio de industriais, militares e banqueiros).

A 30 de Janeiro de 1933, o chefe de estado, marechal Hindenburg, nomeou Hitler Chanceler do Reich e, por morte daquele, Hitler proclamou-se Fuhrer-chanceler (chefe ou guia) reunindo na sua pessoa todos os poderes. O nazismo triunfante rompeu com a Sociedade das Nações e levou a cabo o rearmamento e os novos detentores do poder não tardaram a mostrar as suas verdadeiras intenções. As primeiras leis anti-semitas são aprovadas e faz-se uma cruel perseguição aos judeus na Alemanha.

O NSDAP actua não só contra os judeus, mas também contra opositores políticos. Sobretudo os comunistas e os social-democratas são perseguidos e aprisionados em campos de concentração. Determinadas formas de arte, de literatura e de música, também são proibidas. Queimam-se livros em público. Muitos escritores, artistas e cientistas refugiam-se no estrangeiro. A democracia é abolida.

Na Alemanha, o sossego e a ordem retornam, tendo a prosperidade aumentado. Os nazis dão muita atenção à educação da juventude. Há um grande entusiasmo por Hitler e pelo seu partido. Há alguns opositores, mas a maior parte deles mantêm-se em silêncio, com medo da violência e de serem presos. As medidas anti-semitas são aceites sem grandes problemas, encontrando pouca resistência. Em 1935, são instituídas leis marciais na Alemanha. Só os alemães que tenham o chamado sangue alemão são considerados cidadãos de plenos direitos. Surge toda a espécie de medidas destinadas a impedir e a punir o contacto entre judeus e não-judeus.

 

Hitler tem dois grandes objectivos: a criação de um povo alemão superior, de raça pura, e a criação de um Grande Império Alemão, para o qual é necessário conquistar novos territórios. Na óptica nazi, os judeus são, não apenas inferiores, mas também perigosos. Eles imaginam que os judeus têm o poder em todo o mundo e que o seu objectivo é destruir a chamada raça ariana.

Na Alemanha, são crescentes as limitações impostas aos judeus em todos os aspectos da vida. Tudo isto com uma finalidade: isolar a população judia da não-judia. Na noite de 9 para 10 de Dezembro de 1938, os nazis organizam um progrom contra os judeus (177 sinagogas são reduzidas a cinzas, 7.500 lojas são destruídas e 236 judeus são assassinados). Os judeus apercebem-se finalmente do grande perigo que correm, e muitos decidem abandonar a Alemanha. Mas cada vez mais países fecham fronteiras aos refugiados.

A 23 de Agosto de 1939, a Alemanha assina um pacto de não-agressão com a URSS. A 1 de Setembro de 1939, o exército alemão invade a Polónia. Grandes áreas são evacuadas, a fim de que colonos alemães aí se possam instalar. Um grande número de polacos proeminentes é assassinado. Na Europa Ocidental pouco se sabe acerca das atrocidades cometidas na Polónia. Em Maio de 1940, a guerra rebenta também no Ocidente: Holanda, Bélgica e França são igualmente ocupadas pelo exército alemão. Ao contrário do que ocorre com os polacos, os nazis vêem estes povos como irmãos, e não lhes infligem o mesmo tipo de atrocidades. Mas, logo no primeiro ano da ocupação da Holanda, começa o registo dos judeus. As crianças judias são obrigadas a frequentar escolas separadas, apenas para judeus. Por toda a parte nas cidades há cartazes onde se pode ler: Proibido a judeus.

Em todos os países ocupados, uma das primeiras medidas tomadas pelos ocupantes alemães é o registo dos judeus. A etapa seguinte é o seu isolamento. Surgem cada vez mais medidas, e a um ritmo cada vez maior, a fim de isolar os judeus dos não-judeus. As medidas surtem efeito: muitos não-judeus não se atrevem mais a lidar com judeus, e vice-versa. Em Junho de 1941, a Alemanha invade a União Soviética, rompendo, deste modo, o pacto de não-agressão. Em finais de 1941, completa-se o registo e o isolamento dos judeus, tanto na Alemanha como na maioria das áreas ocupadas. Durante a Conferência de Wannsee em Berlim, a 20 de Janeiro de 1942, altos funcionários nazis elaboram os últimos detalhes para a Solução Final para o Problema Judeu (Endelösung der Judenfrage). A intenção é matar todos os onze milhões de judeus europeus. A partir de então, os planos para a deportação e o extermínio serão postos em prática. No decorrer do ano de 1942, começam a deportações para os campos de concentração e de extermínio, a maioria dos quais se situa na Polónia.