Decreto da criação da Gestapo assinado por Hitler e só depois por Goering

// Adolf Hitler assinou como chanceler o decreto criando a Gestapo em vez da pessoa expectável que era o primeiro-ministro (Göring).


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Hitler assinou erradamente o original do documento da norma que estabeleceu as bases da polícia secreta em 1933, mas este foi reformulado.
 
Não era suposto ser Adolf Hitler como chanceler a assinar a lei em que a Gestapo seria fundada a 26 de Abril de 1933, mas ele foi o primeiro a fazê-lo. Isso é mostrado no documento original encontrado nos Arquivos do Estado em Berlim e refletido no jornal alemão Die Welt.
 
O texto, de apenas quatro parágrafos, é um sinal de desprezo dos nazis pelas leis, porque foi mal escrito, enquanto incluindo a assinatura de Hitler. Só depois eles perceberam que era primeiro-ministro Hermann Göring, que devia formalmente aparecer na parte inferior da segunda folha, uma vez que era uma lei da Secretaria de Estado da Prússia, mas em vez de repetir o documento simplesmente foi riscada a assinatura do "Führer".
 
"Eles deveriam ter feito uma nova lei", diz o chefe dos arquivos secretos do Estado prussiano, Paul Marcus ao jornal alemão. "O facto da a assinatura de Hitler ter sido então riscada e substituída pela de Göring no mesmo documento é um exemplo da crueldade dos nazis no uso da razão e da lei", acrescenta.
 
Três meses antes de Hitler ter sido nomeado Chanceler da Alemanha pelo presidente, o general Paul von Hindenburg, e do incêndio do Reichstag a 27 de Fevereiro tinha lhe permitido obter a assinatura durante o estado de emergência. A Gestapo foi um passo no caminho para completar o controlo do poder, mas, no momento da sua criação, ainda tinha que se seguir formalmente os procedimentos estabelecidos.
 
A lei que fundou o "Departamento 1A da Polícia do Estado Prussiano" (abreviação de Gestapo seria usada a partir de 1934), era tão deliberadamente vaga que abriu a possibilidade de todas as acções arbitrárias que seria levadas a cabo pela polícia nazi. O primeiro parágrafo refere a criação "para o cumprimento das tarefas da polícia política, para além ou em vez da polícia regular" para que se pudesse tornar em qualquer coisa desejada por Göring como primeiro-ministro e ministro do Interior.
 
O segundo parágrafo determinou que todas as autoridades policiais deviam ser assistidas pela Gestapo e o terceiro e último pontos deram ao Ministro da Administração Interna o poder de usá-lo como quisesse.
 
Outro documento de 20 Novembro de 1933 afirmou que a polícia secreta tinha "um poder do Estado independente" e se reportava directamente ao primeiro-ministro. Esta segunda lei pode responder, de acordo com Die Welt, às tensões surgidas entre Göring e Heinrich Himmler, chefe da SS, na sequência da criação da Gestapo. No entanto, em Abril de 1934, os dois colocaram de lado suas diferenças e as SS assumiram a gestão da Gestapo.