Temperamento impossível
Quase desde o primeiro momento que Monty teve problemas com os generais norte-americanos, que sem dúvida subestimava. Sendo Eisenhower comandante supremo, teve que colocar-se às suas ordens. As suas relações foram tensas e azedas nalgumas ocasiões. O êxito e a fama não tinham adocicado o carácter de Monty, e quando este escreveu as suas Memórias criticou muitas decisões de Eisenhower, que deixou de escrever-lhe, como era costume, a felicitá-lo. Isto surpreendeu Monty, que lamentava tão sério os juízos contrários.
O choque entre dois generais era inevitável porque ambos tinham um conceito completamente diferente sobre como se devia conduzir a guerra, já em solo europeu. Monty, na campanha que terminou com a rendição do III Reich, já não esteve tão brilhante como no Norte de África. Cometeu erros, como o da batalha de Arnhem, que deteve a progressão aliada e que dizimou a I Divisão Aerotransportada britânica. Monty nunca reconheceu esta derrota; disse que tinha sido um êxito em 90 por cento.
Em Maio de 1945, depois de avançar sobre a Alemanha a ferro e fogo, Monty recebeu em Luneburgo o general alemão Friedenburg para discutir os termos da rendição da Alemanha.
Ao terminar o conflito e virtualmente até ao final da sua vida, o visconde de Alamein recebeu todos os altos cargos e honras, desde chefe de Estado-Maior Imperial do Exército britânico, até ao de vice-almirante supremo da NATO, passando pelo Comité de Comandantes da Organização de Defesa da Europa Ocidental. Sentenciou a NATO com uma frase: É uma estupidez.
Em 1958 passou à reserva e retirou-se para a sua casa de Islington Mill, perto de Londres. Ali viveu rodeado das suas lembranças até que faleceu em 23 de Março de 1976. Tinha oitenta e oito anos.

