Apanhado de surpresa pela guerra da Coreia
Ainda em Tóquio foi informado de que começara uma nova guerra, desta vez na Coreia. Ele mesmo conta como soube deste novo conflito: Era bem cedo quando, naquela manhã de 25 de Junho de 1950, o telefone tocou na Embaixada. Reconheci a voz de um ajudante que me disse: «General, um número considerável de norte-coreanos atravessou o paralelo 38.».
O Conselho de Segurança da ONU nomeia MacArthur comandante-chefe das forças das Nações Unidas na Coreia. Esta guerra, a última em que participou, seria aquela que deixaria as recordações mais amargas.
Nem a América de 1950 era a mesma América de outrora nem, tão pouco, a Casa Branca tinha por hóspede Franklin Delano Roosevelt. A Guerra Fria, com todo o seu cortejo de medos, reservas e cumplicidades, condicionava todos os actos políticos e militares, ninguém querendo chamar a si ónus de uma decisão comprometedora. MacArthur recordou, então, numa frase que ouvira a seu pai: Meu filho, as decisões bélicas geram temor e derrotismo.
O general não entendia a estratégia traçada por Washington que não queria vitórias mas, isso sim, que um herói da Segunda Grande Guerra não criasse situações embaraçosas, sobretudo com chineses e russos do outro lado da barricada.
As guerras, como descobriu MacArthur, já não eram feitas para serem ganhas mas para não serem perdidas. Uma lógica que ia contra tudo aquilo que aprendera e executara antes. Não compreendia, igualmente, as evasivas de Washington aos seus pedidos nem, em casos extremos, algumas recusas formais como, por exemplo, o de forçar a Formosa a participar no conflito.
Amargura e destituição
Quando anunciou a intenção de bombardear as tropas chinesas em Yalu, Washington começou a encará-lo como uma ameaça. Quis, então, pedir demissão, sendo impedido de o fazer por alguns dos seus amigos. Um dia, um dos seus pilotos perguntou-lhe: Meu general, afinal de que lado estão os Estados Unidos e as Nações Unidas.
A 11 de Abril de 1951, o presidente Truman, que não nutria uma grande simpatia pelo general, anuncia a destituição de MacArthur. Acaso de demitir Deus, disse nesse dia Truman à sua filha Margaret.
Em 1952, alguns dos seus amigos do Partido Republicano propuseram - como havia feito em 1948 - a MacArthur que se candidatasse à presidência. Uma vez mais deixou bem claro que não tinha ambições políticas. Truman, que o questionara sobre uma eventual candidatura à Casa Branca, ouviu de MacArthur a seguinte resposta: Se, no seu caminho, tropeçar num general não será certamente em mim mas em Eisenhower.
MacArthur, que regressou à sua casa de Nova Iorque, faleceu a 5 de Abril de 1964. Tinha 84 anos e combatera em três guerras que marcaram o século XX.

