A carga das SS
A noite ficou marcada pelo recrudescer da violência. Uma após outra, em vagas consecutivas, as unidades alemãs lançaram-se ao assalto das posições defendidas pelos britânicos.
As armas ligeiras de que dispunham os soldados britânicos revelaram-se insuficientes para deter o avanço alemão. Mesmo assim, num combate desigual, os alemães acabariam por perder 22 carros blindados.
Travado pelos alemães, o general Urquarth - escondido durante 40 horas numa quinta no interior das linhas germânicas - viu-se impossibilitado de coordenar e participar numa das fases mais críticas e decisivas da batalha.
Mais tarde, já instalado no Hotel Hartenstein - no qual estava sediado o comando das tropas - Urquarth tomou, finalmente, conhecimento da situação dramática que se vivia na frente. Para cúmulo, a segunda vaga de assalto chegara com quatro horas de atraso e encontrava-se dispersa por uma zona demasiado ampla. E, como se não bastara, os pára-quedistas eram forçados a defender-se dos ataques dos carros de combate inimigos dispondo unicamente de armas ligeiras.
Terça-feira o cenário tornou-se ainda mais complicado. Frost continuava à espera dos reforços indispensáveis à conquista da ponte só que o nevoeiro que se fazia sentir impediu o transporte da brigada polaca para Arnhem. Urquarth, por seu turno viu-se privado de abastecimentos.
Perante este panorama sombrio, Urquarth, ciente de que as suas forças estavam irremediavelmente perdidas, acabaria por tomar uma decisão que tinha tanto de difícil como de inevitável: pôr termo às acções de conquista da ponte, fazendo recuar os batalhões que restavam da sua divisão até Hartenstein, deixando isolados os homens do 2º Batalhão. Em contrapartida, o regresso dos referidos batalhões permitiria defender Hartenstein até à chegada das forças terrestres.
Tragédia em Arnhem
Os homens do 2º Batalhão estavam exaustos. Quarta-feira, três dias depois de terem chegado a Arnhem, as hipóteses de sobrevivência eram poucas ou nenhumas. Os carros de combate alemães cruzavam livremente a ponte, avançando uma e outra vez contra as posições britânicas que, a 21, cederiam definitivamente.
Os reforços chegariam apenas ao final do dia. Após um duro combate com as tropas alemãs, duas centenas de homens da Brigada polaca chegavam a Driel e, pouco depois, cruzam o rio e unem-se aos pára-quedistas britânicos. Na manhã do dia seguinte, uma unidade de Cavalaria britânica estabelece ligação com parte das exaustas forças aerotransportadas e com as forças terrestres.
No Sábado e no Domingo, com a situação dos homens de Urquarth a piorar de hora para hora, a Infantaria britânica alcança a margem oposta àquela em que se encontravam os pára-quedistas, completamente privados de meios de subsistência e de defesa. A ordem para a retirada das tropas foi dada na madrugada de 25 de Setembro. Na noite desse mesmo dia iniciou-se a operação Berlim. Filas de soldados, completamente esgotados, caminharam em silêncio até ao rio, sendo recolhidos por lanchas do II Exército britânico. Estava terminada a Operação Market Garden.
Para a História ficava uma das mais gloriosas páginas do Exército britânico, escrita pelos homens da 1ª Divisão Aérea. Feitos que, contudo, não foram suficientes para evitar o fracasso da Operação Market-Garden.
As forças de Urquarth foram praticamente aniquiladas: dos mais de 10 mil soldados que lutaram em Arnhem regressaram pouco mais de 2.700. Do lado alemão, apesar de a batalha ter corrido a seu favor, as baixas foram igualmente pesadas, tendo perdido, ao longo dos 10 dias que duraram os combates, cerca de 3 mil homens.
Finda a batalha, os alemães retiraram todos os civis de Arnhem, deixando completamente deserta esta localidade holandesa.

