Ao estrondo das explosões seguiu-se um período de terror e desordem que se estendeu por toda a ilha. Chegavam notícias falsas de desembarques japoneses misturadas com outras reais de presença dos inimigos noutros lugares do Pacífico. Todas as unidades disponíveis foram posicionadas nas praias e montaram-se barricadas em lugares estratégicos.
As sentinelas disparavam sobre tudo o que se mexia e as baterias antiaéreas derrubavam dezenas dos seus próprios aviões.
Os navios de Nagumo puderam retirar-se para o Japão sem serem incomodados, enquanto os porta-aviões norte-americanos Lexington e Enterprise, com as respectivas escoltas, os procuravam pelo sul das ilhas Havai, desorientados por falsas informações.
O presidente Roosevelt não tardou em suspender o almirante Edward Kimmel. A 21 de Dezembro foi nomeado para o substituir o almirante Chester Nimitz.
No dia seguinte ao ataque, o presidente Roosevelt anunciou no Congresso que estava declarada a guerra entre os Estados Unidos da América e o Império do Japão.
Alemanha e Itália declararam também guerra aos Estados Unidos. Com isso, o conflito tornava-se mundial e tomava uma amplitude sem precedentes na História.
Na baía de Pearl Harbor tinham ficado semi-afundados os restos fumegantes de 18 navios. A perda destas unidades inclinava decisivamente a balança do poderio naval a favor do Japão, pelo menos no cômputo de navios por categorias. Na realidade, alguns couraçados destruídos eram peças antiquadas e lentas, incapazes de enfrentar as equivalentes japonesas. Ao afastá-los do serviço, a Armada japonesa obrigou os Estados Unidos a reequacionar a sua táctica naval a favor das Task Force de porta-aviões.
Durante os meses seguintes, o Japão manteve a iniciativa, reforçando as suas posições no Pacífico e cumprindo o seu programa de expansão em busca de matérias-primas. Não obstante, rapidamente se manifestava a enorme capacidade de reacção dos Estados Unidos. Em Abril de 1942, quatro meses depois do ataque, os americanos bombardeariam Tóquio, em Maio impediriam o avanço japonês no mar do Coral e em Junho mudariam o rumo da guerra em Midway.
Na base de Pearl Harbor, o esforço foi centrado na recuperação para o combate do maior número possível de barcos e homens. Do couraçado Oklahoma retiraram-se 32 sobreviventes, dias depois do ataque. Outros não tiveram essa sorte e morreram de inanição ou falta de oxigénio, presos debaixo do casco. Três marinheiros do West Virginia apareceram mortos num compartimento próximo de um tanque de água doce. A seu lado, num calendário, tinham sido riscados os dias entre 7 e 23 de Dezembro.
Dos oito couraçados gravemente danificados no ataque, três ficaram prontos para entrar em acção antes de transcorridos três meses. Outros três levaram mais de um ano a incorporar-se na luta. O Oklahoma, que ficou apoiado no fundo e com a quilha para cima, foi posto a flutuar com grande dificuldade e não chegou a combater no Pacífico. Quanto ao Arizona, o mais danificado pelo ataque japonês, pensou-se inicialmente em colocá-lo de novo a flutuar, mas logo se abandonou a ideia. Partido em várias partes, jazia semi-afundado no lodo em que havia sido surpreendido pelos aviões do almirante Nagumo.
Foram feitos grandes esforços para extrair dos restos do couraçado os corpos dos 1.177 homens que tinham ficado presos a bordo, mas só puderam recuperar-se 75 cadáveres.

